Memórias



De repente me vejo no passado a recordar
Bisneta de tropeiro que vivia a viajar
No outro lado da moeda havia um coronelismo que era destemido e só queria mandar
Sobrinha neta de irmâ e uma família tradicional dos lugar
Sua infância foi boa, mas se faz pensar
No ensino fundamental o apelido bruxa, era de colar
Com o cabelo indomável e inquieto não era de se amarrar
Vinha com uma grande carga que só foi aumentar
Em um quilombo sua família fez um lugar
E com o desconhecido e o jeito de pensar
De branca e filha e neta de senhor veio chamar
Com aquelas falas e cargas que não entendia teve que lidar
 Na época do rumia uma descoberta veio te modificar
Com um trabalho de escola que fez aquela garotinha encantar
A proposta era conhecer a história da cidade, sua moradia aquele lugar
Visita a uma fazenda fez seus pontos de vista mudar
Aquela fazenda que foi construída e sua raiz com sangue dos negros veio solidificar
A fazenda que fez surgir a cidade a fazenda solar
Me deparei com o meu mundo a revirar
Mudando de cidade, vi que estaria em outro ar
Com um tapa de luva em um projeto estava a entrar
Com uma visão revolucionaria uma diretora fez a se arriscar
Trazendo a história, a raiz e cultura daquele lugar
O projeto foi um sucesso e tenho orgulho de relembrar e até hoje o exaltar
Na adolescência outro nome veio me dar
De branca passei a me chamar
De morena em um piscar
Não consigo entender
Essa forma de pensar
Negra não é um xingamento
Na realidade prefiro esse chamar
Com a educação tão presente e forte no meu passado consigo olhar
O meu crescimento e o que sou hoje é por causa destes lutar
Me vejo forte com os TABUS a analisar
E o que me torneio hoje é o que me encontro a pensar. 

Beatriz Sanches de Melo.

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