Um olhar para o passado e presente.

Um olhar para o passado e presente.


Uma semana antes do dia das crianças fui procurar um presente que minha irmã havia me pedido. Pesquisei o que poderia comprar para sua afilhada que não tem nem 1 ano, fui surpreendida! (não sei se somente eu tenho esse espanto, mais vamos lá).
Entrei em várias lojas do centro e não tinha tanta opção para essa faixa etária. O que vendia bastante e acabou virando o queridinho nas vendas é um brinquedo que imita um celular e toca música. Não sei vocês leitores, mais tenho dificuldade de achar essa escolha correta, vejo tantos pais reclamando que os filhos não desgrudam da tecnologia e eles são os primeiros a permitir, acaba sendo algo contraditório e sem sentido, como pedir uma postura se quem ensinou ou permitiu foram eles? Sinto falta de ver as crianças brincando com outros coleguinhas não virtualmente, conversando e olhando no olho, sentindo adrenalina enquanto brincam, correndo, suando, sujando e até levemente machucando, pois, faz parte.
Sei que atualmente como o mundo se encontra cada vez mais os pais não se sentem seguros e acabam limitando o espaço, tornando as paredes de casa sua limitação e assim só alimenta a possibilidade de a tecnologia ficar mais presente. Sabe, não sou criança, mais acho que minha essência não mudou, adoro jogar baralho, dominó, pega-varetas e ludo. Ah... O ludo. O que dizer sobre ele? Sou apaixonada, viciada! O que é o truco na fila do pão quando se tem o ludo. Sou uma mulher, criança e velha. Mulher pela idade, criança pela essência e velha por que gosto das coisas do passado. Sentar na calçada ou varanda e ficar conversando por horas sobre assuntos diversos, reunir a família e escutar uma moda (Tonico & Tinoco, Sergio Reis, Trio Parada Dura...) os clássicos do rock nacional (Raul, RPM, Raimundos, Barão...) e o que dizer sobre o MPB (Martinho da Vila, Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Alceu Valença...).
Enquanto o fogão a lenha está aceso alguém preparando o tacho para fazer um doce ou os caldeirões para aquela galinha caipira e nada de jogos tecnológicos, só uma reunião para aproveitar aquele dia, fim de semana, momentos...
Sabe, queria muito ainda ter disposição para o pique pega, pique esconde, corda, rouba bandeira, chutar lata, vôlei, queimada entre tantos outros que me fez tão feliz. E atualmente fico um pouco triste por perceber que as crianças de hoje sabem cada vez menos o que são essas diversões. Que tal reservar um final de semana para curtir com seu filho (a), sobrinho (a), afilhado (a) ou o pequeno que faz parte da sua vida?
Ao decorrer dessa proposta alguns irão perceber que não há recompensa maior ao presenciar um riso frouxo, uma gargalhada sem querer, um brilho no olhar único de felicidade.
Beatriz Sanches de Melo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Só porque sou mulher?

A visão de Drummond para Bia e de Bia para Drummond

Do que ter, aquela velha opinião, formada sobre tudo...