Branquinha,uai!

Branquinha, uai!
Decidi escrever sobre algo que se ama ou se odeia. Os escravos dos engenhos alimentavam os animais com uma espuma que surgia na fervura do caldo de cana. Essa espuma parecia fortalecer os animais assim os escravos começaram a consumi-la, quando os portugueses perceberam este fato, decidiram usar a técnica que era utilizada na fabricação da bagaceira (aguardente de uva). Quem acha que essa especiaria não tem o seu valor está extremamente enganado, já que na metade do século 17 ela começava a assumir um papel importante na colônia, pelo fato da bagaceira perder espaço proibiu-se sua fabricação, pois o lucro do tesouro real vinha diminuindo. Em 1659 os produtores de algumas regiões (exemplo: Rio de Janeiro) receberam uma ordem de destruir todos alambiques da região. Esse foi o início do que, um ano mais tarde, seria chamado de A REVOLTA DA CACHAÇA, quando uma centena de senhores de engenho recusaram-se a parar com a produção e comércio de cachaça. A força desse grupo era tanta que ao final da revolta o governador do Rio de Janeiro foi deposto e a proibição foi derrubada.
A cana de açúcar teve grande importância para o Brasil até o início do século 18, quando se iniciava o ciclo do ouro, com as descobertas das pedras e metais preciosos na capitania das Minas Gerais. Porque esse fato histórico e tão importante para nossa região e tem a ver com a branquinha? Sobre a nossa região algumas cidades foram descobertas por expedições, os exemplos que mais sou familiarizada é o das cidades de Rio Piracicaba e de João Monlevade.
Em Rio Piracicaba, o pouco que se sabe é que os primeiros a chegar nessas terras foram os bandeirantes liderados por José de Camargos Pimentel, explorador da época, que concentrou por muitos anos suas atividades na região onde hoje é a cidade de Mariana. Com o esgotamento do ouro naquela localidade, Pimentel decidiu empreender nova jornada em busca de mais riquezas, chegando á região da atual Rio Piracicaba em 1704. João Monlevade, que muitos devem saber sua história, a pinga acompanhou esses pioneiros lado a lado, pois fazia parte dos hábitos dos mineiros daquela época. A “Marvada” se tornou um sinônimo de brasilidade até porque na revolução Pernambucana de 1817, bem como nas lutas de independência, brindar com vinho ou outra bebida significava aliar-se com o lado português. Ela conseguiu algo tão surpreendente que não a apreciar era considerado algo pouco patriótico. Com essa importância tão exaltada muitos historiadores afirmam que D Pedro I fez questão de brindar com um copo da boa. Sou suspeita para falar sobre o café branco, pois convivo com ela desde que me entendo por gente, neta e filha dos apreciadores da bicha sempre a via nos encontros de família e em todos eventos que ia. É algo tão natural para mim e aquela época que se percebia uma consideração, e pode se dizer até um respeito pela caiana, hoje tenho um pouco de noção que consumir a lágrima de virgem traz uma história e significado tão grande que tem o meu respeito, mesmo não seguindo tanto a tradição da família se assim pode se dizer, o remédio me trouxe um vício, e o incrível é que passa longe do seu consumo e sim de reparar a textura e cheiro, com isso veio a consequência de não consumir qualquer veneno quando decido beber. A forma de se descobrir se é de qualidade é da seguinte maneira:
Olhe- Ela é transparente, brilhante e não possui nenhuma partícula sólida. Também tem que ter boa oleosidade, para verificar gire o copo levando a bebida até a borda e veja se uma película oleosa em forma de lagrimas se forma na parede do copo elas permanecem na parede do copo por um tempo maior no caso das de qualidade.
Cheire- O aroma deve ser suave e delicado. O cheiro do álcool não deve agredir o olfato e impedir a percepção dos outros aromas. O aroma frutado é característico de bebidas novas ou pouco tempo de armazenamento. No caso das envelhecidas, pode-se sentir o aroma da ação da madeira na bebida.
Saboreie- Coloque um pequeno gole na boca e faça com que a bebida percorra todos os cantos da sua boca. Na ponta da língua sente-se o adocicado da cachaça. A acidez é sentida nas laterais da língua e o seu excesso causa a famosa queimação na língua uma boa cachaça tem toque aveludado. Na entrada da garganta é possível sentir um pequeno gosto amargo, resultado do envelhecimento, sendo que algumas boas madeiras não conferem esse amargor.
Agora quero saber de vocês se há alguma bebida que está sempre presente e se traz alguma lembrança ou história? Comentem.
Beatriz Sanches de Melo

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